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Brasil tem desempenho em matemática abaixo da média mundial

O Brasil enfrenta um desafio histórico e estrutural no ensino da matemática, e os sinais de alerta começam muito antes do que se imaginava. Uma pesquisa recente, que analisou habilidades de crianças de até 6 anos em diversos países, revelou que os estudantes brasileiros apresentam um desempenho abaixo da média global em conhecimentos básicos, como contagem e compreensão de quantidades.

Enquanto em algumas escolas particulares o estímulo ao raciocínio lógico começa aos 4 anos de idade por meio de atividades lúdicas e materiais concretos, essa não é a realidade da maioria das instituições do país. O levantamento, realizado nos estados do Ceará, Pará e São Paulo (majoritariamente em escolas públicas), coloca o Brasil atrás de nações como Coreia do Sul e Inglaterra no quesito numérico.

O mito da alfabetização prioritária

Um dos principais entraves apontados por especialistas é a cultura pedagógica brasileira de priorizar a língua portuguesa em detrimento da matemática nos primeiros anos de ensino. Katia Smole, mestre em educação pela FEUSP, ressalta que o Brasil é um dos poucos países que separa rigidamente esses aprendizados.

"Dizem que primeiro você tem que alfabetizar em língua para depois trabalhar matemática. Precisamos olhar para isso, porque a matemática vai falhando para os estudantes ao longo de toda a vida escolar", alerta a especialista. Embora o país tenha tido um desempenho de destaque em alfabetização e linguagem na mesma pesquisa, o vácuo deixado no ensino dos números gera um efeito cascata.

Reflexo no Ensino Médio e formação de professores

A defasagem iniciada na educação infantil cobra um preço alto na adolescência. De acordo com o último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que avalia jovens de 15 anos em todo o mundo, apenas 27% dos alunos brasileiros atingem o nível mínimo de proficiência em matemática. Isso significa que a grande maioria dos jovens termina a escola sem conseguir realizar operações ou raciocínios básicos necessários para a vida adulta e o mercado de trabalho.

Para reverter esse cenário, a coordenadora da pesquisa, Mariane Koslinski, defende mudanças urgentes nas políticas públicas, com foco especial na capacitação docente. "Precisamos de formação inicial e continuada para que o professor se sinta mais apto a integrar as habilidades de matemática no cotidiano das crianças desde a educação infantil", afirma.

O consenso entre educadores é que, sem uma base sólida que transforme a matemática em algo concreto e compreensível desde os primeiros anos de vida, o Brasil continuará figurando nos últimos lugares dos rankings mundiais de educação.

Fonte: Band.
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