A atriz Danielle Winits afirmou que já sofreu agressões no passado e defendeu a importância de retratar temas sobre abuso contra mulheres na televisão. A declaração ocorreu durante a entrevista coletiva da produção "Eu Não Era Louca, Era Casada", novela lançada nesta terça-feira (06) no Globoplay.
Na obra escrita por Ecila Pedroso, Winits dá vida à psiquiatra Regina, médica que acompanha Beatriz, protagonista interpretada por Fernanda Rodrigues. A trama se estrutura como um suspense psicológico que discute o gaslighting, conduta em que o agressor distorce fatos para fazer a mulher questionar a própria memória e sanidade mental.
Reflexão e apoio ao público
A artista ressaltou o papel terapêutico e social da dramaturgia ao expor agressões cotidianas. "Eu, como mulher, que já sofri vários tipos de violência. Vejo que é necessário, hoje em dia, colocar esse assunto dentro da dramaturgia. São luzes do que acontece de fato. Eu me curo ao longo do meu tempo devido a tantas violências que já sofri. Me sinto mais curada com esse trabalho", declarou a atriz.
Para Danielle Winits, produções artísticas cumprem função comunitária de conscientização. "O gaslighting é parte integrante da violência contra a mulher e necessita estar dentro do contexto da dramaturgia. Eu acho que a gente está oferecendo um serviço dentro desse trabalho, porque é no meio do caminho que as pessoas podem consumir e refletir", disse.
Estreia em novela vertical
O projeto marca a estreia da atriz em folhetins produzidos na vertical, voltados para exibição em aparelhos móveis. Winits estava sem contratos fixos em novelas desde "Amor à Vida", exibida em 2013. "Fico feliz que seja no formato vertical. A pessoa que está no transporte público pode assistir e pensar em sua própria vida", pontuou.
Com 50 capítulos curtos de até três minutos, a atração disponibilizou os sete primeiros episódios sem custos para não assinantes. A história mostra o casamento da galerista Beatriz com Vítor (Ricardo Pereira), homem que cria armadilhas psicológicas e conta com a ajuda da cúmplice Lúcia (Barbara Reis), infiltrada na residência como falsa enfermeira para usurpar o patrimônio familiar.
A narrativa acompanha ainda Horácio (Ilvio Amaral), pai da protagonista que tenta defender a filha mesmo com limitações físicas, e o enfermeiro Gabriel (Daniel Rocha), profissional que desconfia dos laudos médicos e decide investigar a situação da clínica.