A Polícia Federal e o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como agente central e suspeito de ocupar um papel de liderança em uma "suposta arquitetura criminosa" voltada ao desvio de recursos públicos.
A investigação, que teve o sigilo levantado pelo ministro Flávio Dino, neste domingo (13), apura se verbas federais e municipais foram direcionadas para financiar a produção do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e menciona inclusive linhas de apuração sobre conexões do grupo com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).
Movimentações incompatíveis e circuito fechado
De acordo com relatórios de inteligência financeira analisados pela Polícia Federal, Mário Frias realizou transferências de recursos diretamente para a produtora Go Up Entertainment --responsável pelo longa-metragem-- em montantes considerados materialmente incompatíveis com seus rendimentos declarados e com os créditos identificados em suas contas bancárias.
Além disso, os investigadores identificaram um "circuito financeiro fechado" entre o parlamentar, a empresa Complexys, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC) --as duas últimas são de propriedade de Karina Ferreira Gama, dona também da produtora responsável pelo filme "Dark Horse".
Segundo os autos, a empresa Complexys recebeu valores diretamente de Mário Frias, efetuou devoluções financeiras ao ICB e repassou montantes à ANC, configurando uma engrenagem destinada a fragmentar e reintroduzir recursos públicos no sistema.
Suspeitas sobre emendas parlamentares
O deputado é alvo de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) e de inquérito da Polícia Federal devido ao envio de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil por meio das emendas parlamentares federais nº 202444230008 e nº 202444230014.
As verbas foram destinadas oficialmente a dois projetos de incentivo ao esporte e letramento digital, mas a investigação aponta falta de transparência e dificuldades na rastreabilidade dos valores.
Atuação no filme e parcerias com Karina Gama
No filme "Dark Horse", Mário Frias assina o roteiro, atua interpretando o médico que atendeu Bolsonaro após a facada em 2018 e é apontado em reportagens como um dos produtores da obra. As apurações destacam ainda que a ligação entre o parlamentar e Karina Ferreira da Gama --presidente do ICB e controladora da Go Up-- é antiga.
Em 2021, período em que Frias chefiava a Secretaria Nacional de Cultura, a empresa de Karina obteve autorização para captar R$ 4,9 milhões em recursos públicos para uma série sobre atletas cristãos. Já na campanha eleitoral de 2022, a candidatura de Mário Frias a deputado federal pagou R$ 54 mil a uma das empresas de Karina por serviços de consultoria.