Uma recepcionista de hotel que foi brutalmente agredida por um hóspede no bairro Bigorrilho, em Curitiba, relatou pela primeira vez em detalhes o ataque que sofreu dentro do local de trabalho. A entrevista foi concedida na manhã desta segunda-feira, 9, em um escritório de advocacia na capital.
Durante a conversa com jornalistas, Maria Niuzete Batista se emocionou em vários momentos e chegou a chorar ao relembrar o episódio.
Ataque aconteceu durante o turno de trabalho
O caso aconteceu na madrugada de sábado, 7 de março. Segundo a polícia, o suspeito Jhonatan Reynaldo dos Santos, que estava hospedado no hotel, foi preso após agredir a funcionária. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Evangélico.
Na entrevista, Maria contou que o homem chegou ao hotel junto com outros colegas de trabalho que vieram de Santa Catarina para prestar serviço em Curitiba.
“Chegaram seis rapazes de Santa Catarina para se hospedar no hotel onde eu trabalho. Eu fiz o cadastro normalmente e eles subiram para os quartos”, relatou.
Ataque começou dentro do banheiro
A recepcionista disse que o homem estava visivelmente alterado e chegou a pedir ajuda para subir até o quarto.
“Ele pediu para eu levar ele até o quarto porque disse que não estava passando bem. Eu falei que não podia deixar a recepção sozinha”, explicou.
Pouco depois, Maria foi ao banheiro da recepção. Ao sair, encontrou o suspeito na porta.
“Quando eu saí do banheiro, ele estava na porta. Ele tentou me agarrar. Eu empurrei ele. Foi quando começaram as agressões.”
Segundo a vítima, o homem passou a desferir socos e chutes.
“Ele começou a me socar, me dar chute na barriga. Eu caí no chão e ele continuou me dando muitos socos.”
Recepcionista diz que quase foi morta
Durante o ataque, Maria afirma que foi estrangulada diversas vezes e chegou a perder a consciência por alguns instantes.
“Ele começou a me enforcar. Eu empurrava a mão dele com muita força. Eu achei que ia morrer.”
Em um dos momentos da agressão, o suspeito quebrou uma saboneteira de porcelana e passou a atacá-la com os pedaços.
“Ele pegou a saboneteira, quebrou e começou a jogar na minha cabeça. Um caco cortou toda a minha mão.”
Fuga e pedido de socorro
Mesmo ferida, a recepcionista conseguiu escapar do agressor e correr para a rua em busca de ajuda.
“Eu saí correndo pela porta do hotel e fui para a rua gritando por socorro.”
Outras pessoas que estavam próximas ao local ajudaram a vítima até a chegada da polícia.
“Eu só estou viva porque lutei muito”
Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Maria afirmou que sobreviveu porque reagiu e lutou contra o agressor.
“Eu só estou viva porque eu lutei muito pela minha vida. Se eu não tivesse reagido, eu não estaria aqui.”
Ela também afirmou temer que o suspeito seja colocado em liberdade.
“Eu tenho medo dele sair e vir atrás de mim. Eu tenho família, tenho filhos. Eu quero justiça.”
Recuperação após cirurgia
A recepcionista passou por cirurgia na mão e ainda se recupera das lesões.
Segundo ela, parte dos dedos ainda apresenta perda de sensibilidade.
“Eu não consigo sentir dois dedos da mão. Agora vou ter retorno médico em 15 dias para ver como vai ficar.”
Ao final da entrevista, Maria reforçou o pedido para que o agressor seja responsabilizado.
“Eu quero justiça. Eu estava no meu local de trabalho. Eu não merecia isso.”