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MP-SP denuncia 16 por elo do PCC com fintechs e postos de combustíveis

O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 investigados na Operação Carbono Oculto, que desmantelou uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro ligando a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) a fintechs que operam na região da Faria Lima e ao setor de combustíveis.

A investigação aponta para uma transformação profunda na estratégia financeira da organização criminosa, que passou a utilizar o coração financeiro do país para ocultar recursos de origem ilícita na economia formal.

De acordo com as investigações, os métodos tradicionais de ocultação de patrimônio da facção foram substituídos por operações financeiras complexas. O dinheiro gerado pelas atividades criminosas passou a transitar por uma rede que envolvia postos de combustíveis, bancos digitais (fintechs) e fundos de investimento sediados na avenida Faria Lima, o principal centro corporativo de São Paulo.

Ao todo, estima-se que as movimentações bilionárias do esquema tenham alcançado a casa dos bilhões de reais. Para dar aparência de legalidade aos recursos, a organização utilizava uma rede composta por empresas de fachada, emissão de notas fiscais fraudulentas e instituições de pagamento parceiras.

Do metanol à fraude fiscal

A complexa investigação que culminou na denúncia teve início em 2023. O ponto de partida foi a apreensão de uma carga de metanol --um composto químico industrial de alta toxicidade cuja utilização em combustíveis é proibida, mas que vinha sendo sistematicamente desviado por criminosos para adulterar gasolina e etanol.

A Polícia Federal estima que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados para abastecer os postos controlados pela rede criminosa. No entanto, a fraude nos postos era apenas a primeira etapa do ciclo: os lucros obtidos com a venda do combustível adulterado eram rapidamente escoados e integrados ao sistema financeiro formal através de transações estruturadas por fintechs e empresas de fachada.

Mentores e foragidos na mira da Interpol

Entre os 16 denunciados pelo Ministério Público, destaca-se o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco". Apontado como um dos principais articuladores e estrategistas do esquema, Silva é peça-chave na conexão entre o crime organizado e o ecossistema de fintechs. Outro nome de peso na denúncia é Admar de Carvalho Martins, integrante do DEMA, que já era investigado anteriormente por supostas ligações com a facção.

Embora não tenha sido incluído nesta denúncia específica de 16 pessoas, o empresário Mohamed Russein Murad, apelidado de "Primo", continua sob investigação. Apontado como parceiro direto de "Beto Louco", Murad é acusado de comandar as fraudes de um dos setores do esquema e de atuar como o controlador oculto de duas distribuidoras de combustíveis.

Tanto "Beto Louco" quanto Mohamed Murad conseguiram escapar da polícia ainda nas fases iniciais da Operação Carbono Oculto e permanecem foragidos. Devido à gravidade dos crimes e à ramificação de suas atividades, ambos foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol, a polícia internacional, mobilizando forças policiais globais para sua captura.

Fonte: Band.
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