O padre Fábio de Melo detalhou como enfrenta a depressão crônica em sua rotina. Embora já tivesse abordado publicamente seus cuidados com a saúde mental em anos anteriores, o religioso aprofundou o assunto e afirmou que as primeiras horas do dia concentram a fase mais difícil de seu quadro.
Segundo o sacerdote, durante participação no programa Sem Censura, transmitido nesta quinta-feira (15), o despertar diário é marcado pela tristeza e pela falta de ânimo, sentimentos que o acompanham desde jovem.
"Desde que eu me entendo por gente eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo, eu não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo e eu acredito a sombra seja o lado positivo da minha criatividade. É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho. Eu não sou uma pessoa eufórica. Eu acordo triste, eu acordo desanimado. Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava super feliz, no outro dia, eu amanheço arrependido", relatou.
O convidado também explicou a necessidade de tempo para se estabilizar no cotidiano e relembrou o período em que utilizava uma quantidade elevada de medicamentos.
"Eu levo um tempo para metabolizar isso, passar e falar: “Agora vamos para o eixo”. Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Claro. Eu era a melhor pessoa do mundo. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. Eu era uma pessoa que correspondia aos comandos, e eu não quero isso", declarou.
Ele avalia que o equilíbrio veio com a definição clínica adequada para o diagnóstico. "Então, quando encontrei a medicação e a dosagem certas para lidar com uma depressão crônica, comecei a ter isso. Eu sei que, de manhã, sou assim", explicou.