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"Técnicamente improvável", diz perito sobre arma na mão de PM morta

O perito forense Eduardo Llanos afirmou, em entrevista ao Brasil Urgente nesta terça-feira (10), que a cena da morte da soldado Gisele Santana apresenta elementos "tecnicamente improváveis" e que sugerem uma simulação. 

Segundo o especialista, a posição em que a arma foi encontrada - na mão da vítima e escorada sobre sua perna - contraria estudos científicos sobre a dinâmica de disparos e quedas de corpos.

"Um suposto disparo na cabeça de uma pessoa que estava em pé, ou seja, nós temos a projeção do corpo após o impacto que não permitiria que a arma ficasse na mão, mesmo com uma contração muscular, e muito menos em cima da perna. Então é uma situação incomum, tecnicamente improvável", disse.

Llanos explicou que o impacto de um projétil na cabeça provoca uma projeção do corpo que, somada ao relaxamento muscular imediato, impediria que a arma permanecesse junto à mão. "Toda queda, mesmo com contração muscular, vai liberar a arma. Ela deveria estar a pelo menos 30 centímetros de distância", afirmou o perito, destacando que a permanência da pistola na posição registrada é "incomum".

Simulação de segurança no gatilho

Outro ponto destacado pelo especialista foi a posição do dedo de Gisele na arma. De acordo com Llanos, o dedo da soldado estava posicionado por fora do gatilho, em uma postura clássica de segurança para evitar disparos acidentais. Para o perito, esse detalhe indica uma montagem mal executada por quem tentou forjar a cena.

"Colocaram o dedo por fora da arma, como se ela estivesse em uma simulação de ter a certeza de que não vai efetuar um disparo acidental. Ou seja, tudo programado da forma errada, pensando que é desse jeito que se convence um perito", analisou.

Ausência de sangue e efeito retorno

O perito também ressaltou a importância do chamado "sangue de retorno". Como o disparo foi encostado na pele (atrás da orelha), a pressão dos gases deveria ter expelido respingos de sangue de volta para a mão que acionou o gatilho. No entanto, os levantamentos iniciais não indicaram a presença desses vestígios nos dedos da soldado.

"Nós temos um disparo encostado, que provoca um efeito estrela, a pele estoura e, ao estourar, nós temos sangue de retorno. Se nós não temos respingos de sangue, por mínimos que sejam, na mão da vítima, ela não acionou o mecanismo de disparo da arma", concluiu Llanos. O conjunto de evidências técnicas, segundo ele, reforça a suspeita de que Gisele foi imobilizada ou surpreendida, e a cena posteriormente alterada para simular um suicídio.

Fonte: Band.
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