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BC investiga esquema de assessoria ilegal do órgão ligado ao Banco Master
Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma investigação apura um esquema de corrupção dentro do Banco Central do Brasil que envolvia servidores em uma rede de consultoria informal e assessoria paralela prestada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram tornadas públicas após a retirada do sigilo de documentos ligados ao inquérito do Caso Master pelo STF.

A atuação irregular mobilizava dois ocupantes de postos de chefia no Departamento de Supervisão Bancária (DESUP): o chefe do setor e o chefe-adjunto. Os dois agentes orientavam diretamente o banqueiro sobre estratégias de defesa e postura em reuniões oficiais com a diretoria do BCB e com a cúpula do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ingerência na fiscalização e vazamento de dados

As apurações mostram que os servidores realizavam revisões prévias em documentos institucionais, relatórios e minutas de ofícios elaborados pelo Banco Master antes do protocolo oficial no próprio órgão regulador ou no FGC.

Os funcionários também repassavam informações sob sigilo legal, incluindo dados sobre reuniões entre o Banco Central e a Polícia Federal, além de alertas sobre operações financeiras retidas nos filtros internos de monitoramento da autoridade monetária.

O contato ocorria por encontros presenciais fora da repartição pública, inclusive na residência de Vorcaro, e por chamadas em um grupo de aplicativo de mensagens chamado "Master", criado por Belline Santana para alinhar as medidas.

Contratos simulados e dissimulação de valores

O repasse de vantagens indevidas contava com operadores financeiros ligados ao controlador do banco, entre eles o cunhado do empresário, Fabiano Campos Zettel, e uma funcionária. O esquema utilizava empresas intermediárias e contratos simulados para impedir a ligação direta dos pagamentos com a instituição financeira.

O dinheiro saía de empresas vinculadas ao banqueiro, passava pelas contas da consultoria e chegava ao servidor em repasses periódicos registrados em planilhas internas, além do custeio de viagens à França.

Compra de imóvel e atuação antes de liquidação

A apuração identificou a venda atípica de um sítio rural em Muzambinho, Minas Gerais, no valor de R$ 4,5 milhões, para a empresa Pipe Participações Ltda., pertencente a Fabiano Zettel. Mesmo após a formalização da venda, a propriedade permaneceu sob a exploração agrícola do irmão do próprio servidor para lavoura de café.

Fonte: Band.
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