A Polícia Civil realizou a reconstituição da morte da soldado Gisele, ocorrida no dia 18 de fevereiro, e apontou divergências entre o depoimento do marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, e as evidências encontradas no local. O militar, que teve a prisão decretada por suspeita de feminicídio e fraude processual, participou da simulação do crime no último dia 2 de março, onde descreveu os momentos que antecederam o óbito.
Contradição apontada pela perícia
A principal divergência destacada pela investigação diz respeito ao campo de visão do acusado. De acordo com a perícia realizada durante a reconstituição, a posição dos móveis e a disposição de uma árvore de Natal no ambiente tornariam impossível que o tenente-coronel visualizasse o corpo de Gisele no chão da sala a partir da porta do banheiro, contrariando o que foi afirmado em depoimento.
Além da questão visual, o inquérito policial analisa a sequência de ações do militar após o ocorrido. Ele relatou ter ligado para os serviços de emergência (193, 192 e 190) e, em seguida, para um superior e um amigo desembargador. O oficial permaneceu sentado no corredor aguardando o resgate e disse ter sido orientado por policiais à paisana a tomar um banho quente devido à sua pressão alta.
A dinâmica dos fatos segundo o oficial
Em seu relato às autoridades, Geraldo Neto afirmou que, na manhã do ocorrido, após arrumar a cama e realizar orações, procurou a esposa na suíte para propor a separação. Segundo o tenente-coronel, Gisele estava mexendo no celular e reagiu com um empurrão, exigindo que ele fosse embora antes de bater a porta. O oficial detalhou que se dirigiu à área de serviço para buscar uma toalha e entrou no banheiro.
Neto alega que, enquanto tomava banho, ouviu um forte estampido e acreditou tratar-se de uma porta batendo. Ao abrir levemente a porta do banheiro, com o chuveiro ainda ligado, ele afirmou ter visto a cabeça da esposa no chão da sala, cercada por uma poça de sangue. Na sequência, vestiu uma bermuda e se aproximou do corpo, mas declarou que não prestou socorro por considerar que não havia mais nada a ser feito.
Investigação de fraude processual
O caso segue em análise para apurar possíveis manipulações na cena do crime. Enquanto Geraldo Neto sustenta que manteve uma distância de segurança do corpo após o disparo, as imagens analisadas pela polícia ainda não conseguiram determinar com precisão o momento em que ele teria sido assistido pelos supostos policiais à paisana. A investigação agora foca em conciliar os dados técnicos colhidos na residência com o comportamento relatado pelo suspeito.