Desde que o vírus Nipah (NiV) foi identificado pela primeira vez em Bangladesh, em 2001, o país já registrou um total de 347 casos da doença, apresentando uma taxa de letalidade alarmante de 71,7%, até setembro de 2025. O dado consta no mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), que detalha a persistência dessa ameaça à saúde pública.
De acordo com o relatório DON582 da OMS, os óbitos registrados no último ano ocorreram nas divisões de Barisal, Dhaka e Rajshahi. As vítimas incluem um jovem adulto, dois homens e uma criança.
Um dos pontos que mais preocupa os especialistas é a quebra da sazonalidade. Geralmente, as infecções ocorrem entre dezembro e abril, coincidindo com a colheita da seiva de tamareira. No entanto, um caso registrado em agosto — fora desse período e sem histórico de consumo da seiva — sugere que outras formas de contágio ou reservatórios virais podem estar em jogo.
O Nipah é um vírus zoonótico transmitido originalmente por morcegos frutívoros (raposas voadoras). A infecção em humanos ocorre principalmente de três formas:
- Consumo de alimentos contaminados: Ingestão de frutas ou seiva de tamareira que tiveram contato com saliva ou urina de morcegos infectados.
- Contato com animais: Transmissão através do contato com porcos ou outros animais doentes.
- Transmissão entre humanos: Contato próximo com secreções de uma pessoa infectada, o que frequentemente ocorre em ambientes hospitalares ou familiares.
Sintomas e a falta de tratamento
A doença é devastadora por atingir diretamente o sistema nervoso central. Os sintomas começam com febre e dores musculares, mas podem evoluir rapidamente para uma encefalite (inflamação cerebral) aguda. Pacientes podem apresentar desorientação extrema e convulsões, entrando em coma em um curto período. Dada a inexistência de uma vacina, o atendimento médico é limitado a cuidados intensivos para tentar estabilizar os sinais vitais do paciente.
Recomendações de prevenção
A OMS classifica o risco como moderado em nível regional, mas alerta para a necessidade de medidas preventivas rigorosas:
- Higiene de alimentos: Não consumir seiva de tamareira crua e lavar bem todas as frutas.
- Proteção médica: Uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde e familiares que cuidam de enfermos.
- Vigilância: Fortalecimento do diagnóstico precoce, uma vez que o Nipah pode ser facilmente confundido com outras síndromes febris no início da infecção.
As autoridades de Bangladesh e a OMS seguem monitorando os contatos das vítimas e investigando as origens dos casos mais recentes para evitar que o vírus se espalhe para outras regiões.