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Escrita à mão perde espaço para telas e afeta desenvolvimento cognitivo

Em um cenário dominado por dispositivos digitais, o hábito milenar de escrever à mão está desaparecendo da rotina dos brasileiros. O movimento, impulsionado pela onipresença de teclados e telas, acende um alerta entre educadores e especialistas em saúde mental. Segundo profissionais da área pedagógica, a substituição precoce do papel pela tecnologia pode comprometer habilidades essenciais que vão além da caligrafia, atingindo o desenvolvimento da personalidade e da criatividade.

A escrita manual é apontada como uma ferramenta fundamental para a fixação de informações. Ao desenhar cada letra, a criança exercita a motricidade fina, a atenção plena e a memória. Diferente do ato mecânico de digitar, o uso da caneta exige uma organização mais complexa do pensamento. Esse processo ajuda na estruturação do raciocínio lógico e oferece um canal mais profundo para a expressão de sentimentos e a construção da identidade durante a infância e adolescência.

O desafio da alfabetização no mundo digital

Em salas de aula que ainda resistem ao domínio completo das telas, professores buscam estimular os alunos a redescobrirem o valor do registro físico. Para a coordenadora pedagógica Cláudia Maciel, a escrita desenvolve competências sociais e de comunicação fundamentais. "É uma das formas mais antigas de se comunicar e desenvolve habilidades cognitivas que o digital não consegue substituir totalmente", avalia a especialista.

A dificuldade, no entanto, é crescente. Com o uso cada vez mais intenso de dispositivos eletrônicos, crianças e adolescentes têm demonstrado maior resistência e até dificuldades motoras para realizar tarefas simples com papel e caneta. A educadora Cláudia Costin ressalta que existem duas formas principais de comunicar pensamentos no contexto educativo: a oral e a escrita. Se a segunda é negligenciada, perde-se uma parte vital da capacidade de síntese e reflexão do estudante.

Resgate do analógico e o papel da família

Para tentar reverter esse processo, surgem iniciativas que buscam resgatar o prazer da escrita manuscrita. É o caso do Clube de Cartas - Envelope de Papel, que já conectou mais de 4 mil pessoas em todo o Brasil. Fundado há nove anos por Mariana Loureiro, o projeto atrai desde mulheres que buscam reviver a nostalgia da juventude até jovens vindos das redes sociais que desejam experimentar o "novo", que, para eles, é o formato analógico.

A mudança de hábito, no entanto, precisa começar dentro de casa. Cláudia Costin adverte que o exemplo dos pais é determinante para o interesse da criança pelo universo das letras. De acordo com a educadora, se os adultos permanecem conectados ao celular durante as refeições e momentos de lazer, dificilmente o filho associará a leitura e a escrita a algo prazeroso.

Dicas para estimular a escrita no cotidiano:

  • Listas práticas: Incluir as crianças na elaboração de listas de supermercado feitas à mão.
  • Cartas e bilhetes: Incentivar a troca de recados físicos entre familiares.
  • Diários: Estimular o hábito de registrar eventos do dia em cadernos.

O Ministério da Educação e especialistas reforçam que o equilíbrio entre a tecnologia e o papel é o caminho para garantir que as novas gerações não percam a capacidade de organizar pensamentos de forma profunda e autoral.

Fonte: Band.
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