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Flávio Bolsonaro diz que há "risco grande" do Brasil ser taxado pelos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em transmissão ao vivo realizada diretamente dos Estados Unidos, onde participou na véspera de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que o cenário para as exportações nacionais é de alerta. De acordo com o parlamentar, as discussões nos bastidores do governo norte-americano apontam para um cenário adverso no comércio bilateral.

"Está muito claro que há um grande risco de o Brasil sofrer essa tarifa de 25%. E eu vim aqui para tentar fazer essa defense, além de técnica, também política, para gerar alguma expectativa para o lado de lá. Porque, mais uma vez, a gente tem que tentar entender como é que funciona a cabeça do presidente Trump. Se alguma coisa vai sensibilizar essa tomada de decisão que seja favorável ao Brasil, vamos usar".

Apesar do pessimismo, o senador disse que fará ainda hoje uma última tentativa no país para evitar a taxação e justificou sua permanência em solo americano para dar andamento a uma agenda de diálogos e conter o avanço das barreiras alfandegárias junto à representação comercial dos EUA. "Resolvi ficar mais um dia aqui exatamente para fazer algumas conversas que vão ser importantes para tentar, mais uma vez, influenciar aqui o governo americano para que as empresas, os produtos brasileiros não sejam tarifados".

"A gente tem que usar as armas que estão ao nosso alcance para conseguir êxito, e é o que eu estou tentando fazer aqui. Vou conseguir? Não sei, gente. Eu estou entendendo o seguinte: com toda a humildade, eu acho que a única chance que nós temos de não ser tarifados é com essa minha participação aqui política na USTR. Todo mundo está dizendo isso: 'Olha, parece que eles vão sugerir ao governo americano que meta 25% de tarifa sobre o Brasil'. Então é fundamental eu tentar esse esforço aqui, não custa nada", disse.

Durante o pronunciamento, o congressista também criticou a ausência de outras lideranças políticas e de representantes do governo federal nas audiências promovidas em Washington. "Senti falta, por exemplo, de outros pré-candidatos a presidente fazendo o que eu fiz aqui. Porque era uma audiência pública, as pessoas podiam se inscrever. Cadê os outros pré-candidatos à presidência da República que não estão aqui defendendo os interesses brasileiros? É muito mais fácil ficar criticando a atuação do Flávio Bolsonaro, né? Muito mais cômodo. Eu estou aqui fazendo a minha parte, estou longe da minha família, estou aqui defendendo o meu país e vou continuar fazendo porque é convicção. Eu tenho certeza que é isso que o presidente Bolsonaro estaria fazendo, ia ter gente aqui representando o governo brasileiro, negociando".

“Tarifas ao Brasil beneficiam a China”

Ao detalhar os argumentos levados aos órgãos reguladores americanos, Flávio Bolsonaro defendeu que penalizar o mercado brasileiro pode gerar um efeito reverso e geopoliticamente desfavorável para os próprios Estados Unidos, aproximando economicamente o Brasil do bloco asiático.

"Eu fiz a defesa técnica tentando usar os argumentos que vão sensibilizar o governo americano. Ele (Trump) tem preocupação com relação a como é que o Brasil se posiciona com relação à China. Você tem que usar o argumento seguinte: ‘Olha, vocês vão lembrar que lá em julho do ano passado, quando os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, qual foi a consequência? O comércio com a China aumentou muito, bateu um recorde de 171 bilhões de dólares, e com relação aos Estados Unidos, ficou ali na faixa dos 83 bilhões de dólares. Olha, se vocês impuserem, mais uma vez, uma tarifa de 25%, ainda que não seja de 50%, mas de 25%, que é muito alta, qual vai ser a consequência disso? Vocês vão acabar fortalecendo a China, que é com quem os Estados Unidos competem hoje, querem ter a hegemonia com relação à potência comercial do mundo’"

O senador complementou expondo a situação fiscal das empresas no cenário interno e concluiu fazendo uma defesa do Pix como um gerador indireto de negócios para o mercado financeiro norte-americano.

"Argumentei lá quando estive pessoalmente com o Trump também, falei: ‘Olha, as empresas brasileiras já são as mais tarifadas do mundo. A gente tem alguém governando o país, alguém que é do PT, o partido dos taxadores. As empresas brasileiras já não aguentam mais tantos impostos. Se acontecer isso, vai quebrar empresas brasileiras, vai aumentar o preço dos produtos que forem tarifados para os próprios consumidores americanos’", disse Flávio.

"Defendi o nosso Pix, eu falei: ‘Olha, gente,, é uma inovação que veio no governo Bolsonaro, foi criado durante o governo do presidente Bolsonaro. Foi o Pix que incluiu dezenas de milhões de brasileiros, principalmente os mais pobres nesse sistema formal da economia. Qual foi a consequência disso? Se o Pix funcionou para esse pessoal vir para esse mercado formal, por consequência, cartões de crédito, por exemplo, que têm bandeiras dos Estados Unidos eles passaram a oferecer um serviço para esse pessoal que o Pix oferece. O parcelamento em várias vezes aí para a frente, determinados créditos que o Pix não consegue fazer. Então, por consequência, isso acabou beneficiando, além dos brasileiros, beneficiou também os consumidores e algumas empresas americanas. Quer dizer, por que atacar o Pix? Não faz sentido’", concluiu.

Fonte: Band.
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